Um professor novo, na primeira conversa, pergunta: "como vocês pagam?". Você começa a explicar e percebe que não existe uma resposta única. A professora de piano mais antiga recebe um percentual, combinado lá atrás. O de violão ganha um valor por aula. O de inglês, que dá turma e particular, tem um acordo misto que só você entende. Cada um foi negociado num momento diferente, e agora explicar o modelo da escola é explicar três exceções.
Escolher como remunerar os professores é uma das decisões que mais pesam no financeiro de uma escola de idiomas, música ou curso livre. Não existe modelo certo para todo mundo, mas existe o modelo que combina com o jeito que a sua escola vende aulas. E, qualquer que seja, ele precisa vir acompanhado de regras claras.
Antes do modelo: a forma de contratação
Este texto fala de como calcular a parte variável da remuneração. A forma de contratação (funcionário com carteira, professor horista, autônomo ou empresa) é outra decisão, com obrigações trabalhistas e fiscais diferentes. Ela vem antes de tudo e merece uma conversa com o seu contador.
Modelo 1: percentual da mensalidade
O professor recebe uma porcentagem do valor que o aluno paga pela aula dele.
A favor: alinha o professor com a receita da escola. Turma cheia rende mais, aluno que fica rende por mais tempo, e o professor passa a se importar com a retenção. Também se adapta sozinho a reajustes de preço.
Contra: o valor que o professor recebe varia com coisas que ele não controla, como descontos e promoções. E é preciso decidir sobre o que o percentual incide:
- Sobre a mensalidade gerada: o professor recebe mesmo que o aluno atrase. A escola assume o risco da inadimplência.
- Sobre a mensalidade paga: o professor só recebe quando o dinheiro entra. O risco é dividido, mas o professor passa a depender da cobrança, que não é trabalho dele.
Combina com: aula particular por mensalidade e escolas que querem o professor envolvido com a permanência do aluno.
Modelo 2: valor fixo por aula dada
O professor recebe um valor fechado a cada aula dada, independentemente de quanto o aluno paga.
A favor: é simples de entender e de conferir. O professor sabe quanto vai ganhar no mês só contando as aulas. Funciona bem com pacotes, aulas avulsas e preços diferentes para o mesmo curso.
Contra: a escola assume o risco do preço. Uma aula vendida com desconto custa o mesmo para a escola. Em turma, atenção: o valor é por aula, não por aluno, então uma turma vazia custa o mesmo que uma cheia.
Combina com: escolas com muitos formatos de venda e professores que preferem previsibilidade.
Modelo 3: valor por hora de aula
Parecido com o fixo, mas calculado pela duração. Uma aula de trinta minutos vale metade de uma de sessenta.
A favor: é justo quando as durações variam muito, o que é comum em escola de música, com aulas de 30, 45 e 60 minutos convivendo na mesma agenda.
Contra: exige que a duração de cada aula esteja registrada direito. Aula que acabou mais cedo ou mais tarde vira dúvida.
Combina com: escolas em que a mesma aula tem durações diferentes conforme o aluno ou o nível.
As regras que valem para qualquer modelo
O modelo resolve só metade da conta. A outra metade são os combinados que, se ficarem no ar, viram discussão todo fim de mês:
- Falta do aluno: o professor estava lá e o aluno não veio. Conta como aula dada? Só a falta sem justificativa conta? Nenhuma conta?
- Reposição: quem recebe pela aula reposta, e ela conta uma vez ou duas?
- Substituição: se outro professor cobriu uma semana, a comissão daquele mês é dividida pelas aulas que cada um deu.
- Taxa de matrícula: entra na conta do professor ou fica toda com a escola?
- Data de pagamento: um dia fixo do mês seguinte, para todo mundo.
- Conferência: o professor recebe um extrato com as aulas e os valores e confirma antes do pagamento. Discutir antes de pagar é muito melhor do que discutir depois.
Dá para misturar modelos?
Dá, e muitas escolas fazem. O caminho mais organizado é ter um padrão da escola e permitir exceções por professor, todas escritas. O que não funciona é ter um acordo diferente para cada pessoa, combinado de boca. Além de difícil de calcular, isso gera comparação entre professores e sensação de injustiça.
Como o Aulla calcula a comissão
No Aulla, a escola escolhe o modelo padrão (percentual da mensalidade, valor fixo por aula dada ou valor por hora de aula) e pode definir um modo e um valor próprios no cadastro de cada professor. No percentual, a matrícula também pode ter o seu, e ele vale acima do professor e da escola.
A comissão percentual nasce na geração da mensalidade, então o atraso do aluno não afeta o professor; ela só é estornada se a mensalidade for cancelada. Nos modelos por aula e por hora, a comissão nasce a cada aula concluída, e a aula de turma conta uma vez. Se mais de um professor deu aula para o mesmo aluno no mês, o percentual é dividido pelas aulas que cada um deu.
As regras de falta, o dia de pagamento e a divisão da taxa de matrícula são escolhas da escola. No fechamento, cada professor recebe um extrato que aceita ou contesta pelo portal, e o extrato aceito vira conta a pagar no financeiro.
Por onde começar
Liste como cada professor recebe hoje e veja quantos modelos diferentes você tem. Escolha um padrão que combine com o jeito que a sua escola mais vende aulas, escreva as regras da lista acima e apresente aos professores antes de aplicar. Para quem já tem acordo antigo, combine uma data de transição. Mudança de remuneração anunciada com antecedência e explicada com números é muito mais bem recebida do que uma surpresa no extrato.